Pastel, batatinha e um pouco de câncer no prato
Você, que mal pode esperar pela chegada do fim de semana para se deliciar com a gastronomia de risco, atenção: as frituras aumentam a pressão arterial, inibem a absorsão de nutrientes e são cancerígenas
Coxinha, pastel de feira e batata frita. Estes são apenas alguns dos alimentos fritos comuns no cardápio dos brasileiros, sendo a batata um dos alimentos mais consumidos no mundo. Apesar de serem deliciosos e saboreados por crianças e adultos, seu consumo deve ser limitado.
A nutricionista Hortência Guimarães Carvalho explica que as frituras, quando consumidas em excesso, podem causar doenças cardiovasculares, aumento da pressão arterial, câncer, resistência à insulina e ainda inibir a absorção de nutrientes. Ela recomenda o consumo desse tipo de alimento no máximo uma vez por semana. “Prefira alimentos cozidos, assados e/ou grelhados. Desse modo você estará mantendo todos os benefícios dos alimentos e evitando possíveis doenças relacionadas ao consumo de frituras.”
Até os óleos vegetais de boa qualidade se transformam em gordura ruim quando submetidos a altas temperaturas, explica a nutricionista, informando que para amenizar os danos é preciso fritar os alimentos pelo menor tempo possível. De acordo com ela, reutilizar o óleo no preparo de outro alimento é ainda pior, porque quando reutilizado ele se transforma em gordura transaturada (a gordura “trans”).
Consequências
Hortência explica que o excesso de fritura pode causar resistência a insulina, porque a fritura deixa o alimento com característica inflamatória, podendo estimular o acúmulo de gordura abdominal e assim causar essa resistência, o que provoca também cansaço, redução da fertilidade e da absorção de nutrientes.
Além disso, o alto consumo de alimentos fritos pode acarretar doenças cardiovasculares como o infarto agudo do miocárdio, devido à presença de gorduras saturadas e/ou trans, que podem provocar obstrução de artérias. O câncer também é um risco para quem consome muita fritura, porque ela pode promover a formação de uma substância chamada acroleína, que é altamente cancerígena.
Para quem consome muitos alimentos fritos, a recomendação é reduzir rapidamente o consumo desses alimentos e readaptar o paladar às outras formas de preparo, deixando o consumo de frituras para esporadicamente. A profissional diz que consumir cereais integrais, frutas, verduras, legumes, água e praticar atividade física reduz os riscos de desenvolver tais doenças relacionadas ao consumo de frituras. “Tenha equilíbrio, e não consuma diariamente alimentos fritos e ricos em gorduras ruins.”
A nutricionista Hortência Guimarães Carvalho explica que o único óleo que resiste bem à altas temperaturas, e que pode ser utilizado no preparo de frituras é o óleo de coco. Ele é antifúngico, antibacteriano, antiviral e termogênico, podendo auxiliar na redução de peso quando utilizado em quantidades adequadas e sem excesso.
Os outros tipos de óleos não são recomendados, pois na alta temperatura quando o alimento será frito, ocorre reações químicas que o transforma em gordura saturada, causadora de diversas doenças. O azeite também não é indicado porque não resiste à altas temperaturas e logo oxida.
“Prefira alimentos cozidos, assados e grelhados. Desse modo você estará mantendo todos os benefícios dos alimenftos e evitando possíveis doenças”
Hortência Guimarães
Empresária afirma que ingestão de alimentos fritos motivou gastrite
A empresária Paula Regina Moreira Fernandes, 20 anos, gosta de comer frituras, sendo batata frita a preferida. Ela já passou mal com esse tipo de alimento e conta que devido a ingestão de alimentos fritos adquiriu uma gastrite. Atualmente, ela tenta evitar o máximo a alimentação, por não saber o prazo de utilização do óleo.
Paula tomou essa medida pois foi justamente com gorduras antigas que ela passou mal. “Apenas com o cheiro percebemos que já foram utilizadas várias vezes.” Ao comer um pastel em uma lanchonete do setor em que mora, ela começou a sentir dor no “pé da barriga” e muita pontada – uma dor que de cinco em cinco minutos voltava e cada vez se revelava mais forte.
Ela lembrou que havia comido apenas o pastel e o cheiro não estava agradável, e atualmente seu estômago sempre rejeita frituras. Após esse incidente, a empresária procurou um gastroenterologista, que indicou vários remédios e passou uma lista de alimentos que não podem ser ingeridos diariamente.
Para a empresária, a fritura tem que ser evitada ao máximo, pois nunca se sabe se a pessoa pode ou não ingerir o alimento. Ela lembra que não faz bem para ninguém frituras todos os dias e afirma que as pessoas têm que procurar lugares que trabalham com alimentos frescos e sequinhos.
Quem também gosta de comer fritura e já teve problemas devido ao excesso desse tipo de alimento é o ator Alexandre Camargo. Ele diz que sua fritura preferida é um frango frito empanado de uma sanduicheria local, mas que evita comer frequentemente por questões de saúde, pois o corpo é seu instrumento de trabalho e, por isso, precisa estar em forma e em bom funcionamento.
Alexandre explica que já passou mal por conta da fritura, pois ingeriu uma quantidade que irritou o funcionamento do fígado e intestino. “Sou ator, então na correria entre ensaios e apresentações acabo comendo o que vende na porta dos teatros, e certa vez me apresentando fora resolvi comer a famosa coxinha da cidade em que eu estava. Depois de comer, mais tarde, comecei a passar mal em cena no palco, terminei o espetáculo e fui tratar do problema.”
O ator procurou um clínico geral e a recomendação recebida é do consumo de alimentos fritos somente duas vezes ao mês e em pouca quantidade. Ele diz que após o incidente ficou totalmente seletivo com seus hábitos alimentares, evitando o consumo frequente de alimentos fritos e de procedência duvidosa e quanto a higiene do preparo.
O profissional da atuação recomenda que todos saibam dosar o consumo, pois o exagero de qualquer alimento é nocivo ao organismo. Alexandre afirma também que uma educação alimentar equilibrada permite alimentos fritos, mas que devem ser escolhidos os alimentos, além de procurar um estabelecimento confiável ou fazer em casa, não adotando para alimentação regular. “Se você não tem nenhuma patologia ou disfunção no organismo que a fritura possa agravar, os alimentos fritos não precisam ser excluídos da sua vida, até porque quem não resiste a uma batata frita com os amigos de vez em quando”, conclui.
ESPÉCIES DE ÓLEOS
Saber usar o óleo adequado é fundamental para quem deseja unir o gosto da fritura com a redução de danos e perigos:
- Óleo de amêndoas: Também é fonte de ácidos graxos essenciais, sendo que alguns destes possuem propriedades anti-inflamatórias. Assim como qualquer óleo, os mais frescos e extraídos a frio são os melhores.
De preferência escolha garrafas marrons ou verdes, que mantenham pequeno contato do produto com a luz. Também evite o superaquecimento dos óleos para prevenir a deterioração dos mesmos
- Óleo de soja: É uma excelente fonte de ácidos graxos essenciais, ômegas 3, 6 e 9 e vitamina E. Age como um antioxidante natural e auxilia a reduzir os níveis de colesterol no organismo.
- Óleo de girassol: Com vitaminas A, D, E e do complexo B, ômega 3, 6 e 9, tem minerais como zinco e magnésio, além de ácidos graxos insaturados. É bastante eficaz na redução dos níveis de colesterol sanguíneo, da pressão arterial e previne de doenças cardiovasculares.
- Azeite de oliva: O azeite contribui com a diminuição do mau colesterol (LDL), promove o aumento do bom colesterol (HDL), protege contra o câncer e problemas no coração, além de ser uma boa fonte de ômega 9. Possui vitaminas A, D, E K e é um ótimo antioxidante, que retarda o processo de envelhecimento celular. Acelera o funcionamento do metabolismo, facilita a digestão, melhora a absorção de cálcio e minerais, age positivamente no funcionamento do estômago e do pâncreas. As gorduras monoinsaturadas modificam a distribuição de gordura corporal e diminuem o acúmulo na região abdominal. Por isso, podemos dizer que o azeite tem efeito antibarriga e ajuda a afinar a cintura.
- Óleo de canola: É um dos óleos mais saudáveis, pois tem elevada quantidade de ômega 3, 6 e 9, auxilia no controle da pressão arterial, previne doenças do coração e é um poderoso antioxidante no combate os radicais livres. Possui o menor teor de gordura saturada de todos os óleos vegetais
- Óleo de milho: Possui componentes utilizados como redutores do colesterol. Contém 60% em ômega 3, prevenindo alterações metabólicas relacionadas com dermatites, perda de peso e arteriosclerose.
- Óleo de gergelim: fonte de ácidos graxos insaturados ômegas 3, 6 e 9. Naturalmente fonte de vitamina E, antioxidante que protege as células da ação dos radicais livres. Saboroso, pode ser usado em saladas, pratos frios e massas
- Óleo de linhaça: Excelente fonte de ômega 3, uma gordura que previne e auxilia no tratamento de várias doenças inflamatórias e cardíacas. Tem ainda magnésio e potássio, minerais fundamentais para um bom funcionamento do organismo.
- Óleo de algodão: Rico em vitamina E, ácidos graxos, ômegas 9 e 3. É uma excelente fonte de tocoferol, um antioxidante natural.
- Óleo de macadâmia: fonte de ômegas 7 e 9. Estudos mostram que seu consumo auxilia na redução das taxas de colesterol total e LDL. Usado em receitas, saladas e refogados.
- fonte:
- http://www.dm.com.br/cidades/2015/01/pastel-batatinha-e-um-pouco-de-cancer-no-prato.html
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